"Les grandes découvertes
du XXe siècle
ont été la faim
et la bombe atomique"

Josué de Castro

[accueil] > ARTICLES > "La main de Dieu est, en fait, française"
"La main de Dieu est, en fait, française"


André Carretoni
, écrivain brésilien à Paris
www.carretoni.com



Mon père était descendant d'Italiens et de Syriens (ou Libanais, lui-même ne le savait pas). Ma mère est descendante de Portugais et d'Espagnols. Mon père est né à Mato Grosso do Sul et ma mère à Minas Gerais. Pour ma part je suis né à Rio de Janeiro en 1971, et en 1998 je suis parti du Brésil. J'ai vécu six ans à Lisbonne, quelques mois en Italie, deux ans en Suisse et j'habite Paris depuis un peu plus d'un an. J'ai pris la nationalité portugaise, ma femme m'a donné le droit d'obtenir la nationalité italienne et, si je vivais cinq ans en Suisse, ce que je pourrais faire, j'aurais la nationalité helvétique. Vais-je dire que je suis carioca (1) ? Que je suis même brésilien ? Jamais. Je ne peux pas. Je suis un citoyen du monde, je ne suis pas un document, malgré le fait que je ne puisse pas vivre sans pão de queijo (2).

Je souffre pour les misères du Brésil et les conquêtes vertes-jaunes me réjouissent, mais je me lamente aussi sur la faim en Afrique, tout comme je suis heureux pour les victoires françaises. Liberté, égalité et fraternité, mais que ces droits soient en Europe, en Afrique ou au Venezuela. J'admire la virtuosité de la capoeira, j'aime les sculptures de Rodin et je me lèche les doigts en dégustant des escargots. Je suis vicié aux croissants au beurre, peut-être seraient-ils encore meilleurs tartiné de catupiry et je reste bouche bée à l'écoute d'un CD d'Edith ou de Elis.

Elis Piaf / Edith Regina. Johnny Hallyday devrait avoir fait de la musique avec Raul Seixas. Godard devrait avoir réalisé un film avec Cassilda Becker. Victor Hugo raconté l'histoire de Tiradentes, et Delacroix peint une scène d'Umbanda. Le Christ Rédempteur, après tout, a la tête et les mains sculptées en France.

Mais rien de ce que je dis là ne doit être considéré comme une vérité absolue. Un écrivain ne possède pas de vérités absolues, il possède seulement un point de vue, il est un prisme, un être qui transforme ce qu'il voit et ressent dans le cristal de ses expériences personnelles et qui écrit ses conclusions et ses doutes pour les autres personnes; et, s'il a réellement aimé la première fois qu'il a fait cela, il ne réussira plus jamais à s'arrêter. Cela en a été ainsi avec moi, et c'est pour cela que je suis ici, pour partager cet passion.

J'envisage de parler de l'actualité, des mouvements culturels, films, livres, de ma vie, celle des autres (pas trop en mal) et sur les idées qui naissent dans ma tête prêtes pour être partagées. Et, bien sur, j'espère aussi entendre ce que vous avez à dire, dans ma tentative continue de purifier le verre duquel je suis fait.

Je remercie l'opportunité d'être là, participant à ce véhicule de communication déjà reconnu. J'espère me montrer à la hauteur de la confiance qui m'a été témoignée et réussir à créer de nouvelles et durables amitiés.

Allons-y!

 

André B.Carretoni

 

(1) Originaire de Rio de Janeiro

(2) Pão de queijo



A mão de Deus é, em fato, francesa


Meu pai era descendente de italianos e de sírios (ou de libaneseses; nem ele sabia). Minha mãe é descendente de portugueses e espanhóis. Meu pai nasceu no Mato Grosso do Sul, e minha mãe em Minas. Eu nasci no Rio, em 71 e, em 98, parti do Brasil. Vivi seis anos em Lisboa, um pouco na Itália, dois anos na Suíça e estou há mais de um ano em Paris. Tirei a nacionalidade portuguesa, minha esposa deu-me o direito à nacionalidade italiana e, se eu vivesse cinco anos na Suíça, o que eu poderia fazer, se o quisesse, teria a nacionalidade helvética. Vou dizer que sou carioca? Que sou mesmo brasileiro? Nem pensar. Não posso. Sou um cidadão do mundo, não um documento, apesar de que não posso viver sem meu pão de queijo.

Sofro pelas misérias do Brasil e alegro-me pelas conquistas verde-amarelas, mas também lamento a fome na África e regojizo-me pelas vitórias francesas. Liberdade, Igualdade e Fraternidade, mas sejam eles, esses direitos, na Europa, na África ou na Venezuela. Admiro o virtuosismo na capoeira, amo as esculturas de Rodin e lambo os dedos ao comer um escargot. Sou viciado em croissant, acho que ele seria melhor com recheio de catupiry e fico de boca aberta ao ouvir um CD da Edith ou da Elis.

Elis Piaf / Edith Regina. Johnny Hallyday deveria ter feito músicas com o Raul Seixas. Godard deveria ter dirigido um filme com Cassilda Becker. Victor Hugo contado a história de Tiradentes, e Delacroix pintado uma cena de Umbanda. O Cristo Redentor, afinal, tem a cabeça e as mãos esculpidas na França.

Mas nada do que eu diga aqui deve ser considerado como uma verdade absoluta. Um escritor não possui verdades absolutas, ele possui apenas um ponto de vista, ele é um prisma, um ser que transforma aquilo que viu e sentiu no cristal de suas experiências pessoais e que escreve suas conclusões e dúvidas para as outras pessoas; e, se ele realmente amou a primeira vez que fez isso, nunca mais conseguiu parar. Foi assim comigo, e é para isso que estou aqui, para compartilhar este amor.

Pretendo falar sobre a atualidade, sobre movimentos culturais, sobre filmes, livros, sobre a minha vida, a vida dos outros (não muito mal) e sobre idéias que nascem na minha cabeça prontas para partirem. E, claro, também espero ler aquilo que vocês têm a dizer, nesta minha tentativa contínua de purificar o vidro do qual sou feito.

Enfim, agradeço a oportunidade de estar aqui, participando deste já reconhecido veículo de comunicação. Espero mostrar-me à altura da confiança que me depositaram e encontrar novos e duradouros amigos.

Vamos a isto...

 

André B.Carretoni